segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

dezoito anos

A barra da saia da mamãe era o único lugar que eu gostava de estar. Até hoje vivo por lá. Aos dezoito anos continuo fugindo da exposição, evitando o mundo adulto, correndo dos problemas - e é isso que eu sei fazer, correr. Com o amadurecimento eu encontrei um paliativo: ignorar. E foi assim por muito tempo. Passei a adolescência ignorando. Ignorava os problemas, até mesmo as soluções que me eram apresentadas. Parecia não me importar - e por um tempo eu realmente não me importei. Vivia atrás do muro (sim, o do Pink Floyd). Eu evitava a vida, eu adiava a vida como alguém adia uma dieta - resolvo meus problemas na próxima semana era o meu mantra semanal. A responsabilidade era a cicatriz que eu não queria ter. Eu não queria ser adulto - quando adulto, mas era tarde. Toda a infância eu esperei pelos dezoito anos, pela liberdade. Esta que eu jurava ser sobre álcool, morar sozinho, trabalhar, estudar longe e ser independente. Errei muito sobre a liberdade. Liberdade que, agora, me fez refém da vida, que me fará encarar a vida de frente. Olho no olho para vivê-la. Sorrindo quando for preciso, chorando quando for possível.

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